terça-feira, 16 de agosto de 2011

Capítulo 19

  • Texto sem revisão

    Calma pessoa afoita. Disso nada leva. Deixe que sua presa saia de fininho que não se mexe com a vontade de se ter vingança pela desonra que sofre por ter sido empreitada em vez de encurralar.
  • Capitão, que faz aqui sentado em baixo de aguaceiro sem tamanho?
  • Vim em busca de algo que nem imagina e nem precisa saber. Mas já sabe. Sua caça. Vim para ter certeza de que nada de mal iria acontecer nem a você nem a ninguém. Segue seu caminho em paz que dou jeito para que ninguém te perturbe em santa caminhada. Vai, confia, já confiou antes. Sabe que mereço crédito.
E assim, Capitão do mato, mais do mato do que nunca convenceu Severino que mais ninguém estava por lá. Severino seguiu caminho descansando a alma. Enquanto isso, ainda tinha Deucídio, Cleomar e Ceres para uma brincadeira de pega. Capitão bem esfolado de tanto andar por mundo sem beira, sabia como fazer e induzir caminho a navegante a esmo. De forma que à distância de Deucídio era considerada ainda. Levando em conta que a chuva estragou a trilha, nada mais restava a este a não ser se perder. Capitão sabia disso, e tinha uma questão a resolver. Era um homem só. E decidir qual o caminho mais certo era permitir que ou um afundasse-se em lama para ter o perigo de nuca mais voltar, despistando Cleomar, ou arrumar caminho de retirante para cruzar com Deorani a modo de nada mais acontecer, e volta segura estava estabelecida. Mas isso era permitir que Cleomar e Ceres chegassem bem além na trilha, já a ponto de não ser mais possível à volta. E com certeza chegariam ao rio de areia onde pegadas de Severino estariam bem a vista, já que chuva esvaindo-se acabava sua tarefa ali. Pensou calmamente por alguns instantes e resolveu. Entre a vaidade de um segredo e a morte de gente, mesmo que não amistosa, prefiro ser chamado de não cumpridor da palavra do que responsável por rei urubu ter alimento e saciar seus desejos. Segui esguio pela mata cortando trilha feito macaco doido fugindo de onça. Sabia o caminho que Deorani seguiria certo para não se perder e chegar em alto de penhasco. Só tinha que estabelecer um trajeto onde Deucídio entraria em contato com Deorani. De dois, mais fácil à volta.
Deu certo. Arrumou trilha parecendo um desvio, Deucídio nem forma tomou de consciência para saber que seu caminho tinha sido mudado em curva, em traço para o cruzamento com Deorani. Mas assim aconteceu. Cruzaram. E forte diálogo aconteceu.
  • Deucídio? Que faz aqui?
  • Que faz aqui pergunto eu. Não disse para Ceres que deveria vir para vingar minha honra? Cá estou, e você o que faz?
  • Eu? Isso não interessa, só sei que sua presença aqui estragou minha empreita.
  • Eu estraguei? Você arma toda confusão e fica querendo jogar a culpa em mim? Já estava certo antes de desconfiar de sua palavra e agora mais ainda tenho a certeza da sua desonra.
  • Cabra! Vê como fala com pessoa que não conhece bem e não sabe do que é capaz. Respeito pessoa de Deus para desgraça não acontecer aqui. Se bem que se isso ocorrer, culpa de um ou de outro, vai acabar caindo nas costas de Severino mesmo, e o que acaba sendo bom em tudo isso, é que doce vingança ocorre, mesmo sem pegar Severino.
  • O quê? Era um embuste para me empreitar?
  • Claro que não homem. Seja mais honrado com suas calças e deixa de besteira e moleza abalar suas pernas. Não tem embuste nenhum aqui. Acaso meu caro, acaso te trouxe em meu caminho, para que te salve da desonra de se perder na mata e ser esquecido como um doido que saiu em busca do paraíso perdido. Mais um...
  • Claro que não. Minha idéia é bem mais do que essa. Vim de caminho certo em busca de coisa certa e você não vai me atrapalhar.
  • Atrapalhar? Quer ir para onde! Não vê que não tem mais nada em chão? Nem uma marquinha sobrou depois desse molhamento todo. Entre seguir em frente e tentar descobrir caminho certeiro e salvar sua vida do afogamento na poeira que certo em dias se fará novamente por aqui, optei por te ajudar cabra. E volta comigo para povoado que é coisa mais certa a se fazer nesse momento.
  • Honorável amigo de alma branca de pele morena. Como pessoas mudam de discurso a cada instante satisfazendo suas vontades e pouco se importando com o que de fato ocorreu. De alma ferida e rabo no meio das pernas passou a salvador. Esse é o verdadeiro homem macaco. Hihihihhhiiii... Muda a cada momento. Engraçado que só pode ver isso quem esta a cima disso. Você, eu e quem mais acompanha privilegiadamente essa história. Tem gente que não vai gostar de ler isso. E ainda mais, vais fazer força para dizer que isso é historia para chinês ver... Hiihihihihiiii... Trocadilho mais sem graça. De verdade o que queria era essa água toda bem firme por mais tempo. Para ter a certeza de nunca faltar e honorável amigo dourado de companhia certa poder trazer e aqui perpetuar sua espécie. Mas ainda não vai dar e terei que esperar por momento certo para derramar a vida em outro local. A pressa, meu caro amigo essa estraga tudo. Tem que sempre se ter paciência com o tempo que é implacável e sempre cumpre seu destino. De nada adianta lutar. O tempo não é o futuro nem o passado. A dor que sente é agora. Ninguém sente uma dor de ontem, nem a de amanhã. Se sente a do presente. O presente é a dádiva. O resto do tempo, não existe, só recordação de um passado e esperanças de um futuro. O que vale é o presente. O agora. Já!

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    Toda terça-feira, um novo capítulo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Capítulo 18

Texto sem revisão.

Severino Conceição estava arisco em sua caminhada. Justamente resolveu mudar trajeto para tentar despistar quem poderia vir em seu encalce. Andando de passo largo, de sete léguas, já tinha certeza que estava sendo seguido, e mais certo ainda era seu pensamento de quem poderia ser.
Pensava:
  • Cleomar, sangue meu, só pode ser, quem mais de loucura poderia querer se embrenhar em caminho que não dá em nada e a morte espreita? Cleomar, Cleomar, susto tem que levar de novo para deixar de ter curiosidade.
  • Honorável amigo tem sempre muita hora para se fazer às coisas. Tempo sempre se acha. Sempre tem para quem quer fazer. Prioridades meu amigo de calças na mão às vezes. Hihihihiiiiii... Mas desta vez. Parece que Severino vai acabar se atrasando, e se atrasa, não cumpre contrato com coisa encontrada e perde história que vem acompanhando a muito. Sempre se dá jeito para o tempo. Tempo vem, tempo vai, mas desta vez, se atrasa, só próximo mês para ver de novo as maravilhas que a muito de certo esqueceram por lá. Preste bem a atenção no que vou te contar. Toda confusão que vem do mato agora, nada de diferença faz para o grande todo. Mas para a consciência de cada um, é mais do que importante. Insignificante é o que quero dizer. Mas já esta acontecendo e mesmo como qualquer resultado não faz diferença alguma para o que de maior tem sempre em encalço, melhor dizer que para Cleomar e Ceres, é crucial. Vida deles corre perigo. Será que agüentam outro susto? Chiiiii... Presta bem atenção no que Capitão do Mato faz, e volta e protege para que nada de errado aconteça, esse sim, parece ter em seu lado, olhos de lince que guiam seus passos, e cabeça de águia que sobrevoa até a escuridão, sabendo de verdade o que acontece em baixo. Presta atenção em detalhes que parecem nada ter a ver.
Com essas palavras de Ken, minha cabeça se confundia a cada instante mais e mais. Não tinha a menor idéia do que poderia acontecer. Mas acontecia a cada instante de forma a elucidar o fato.
  • Capitão Serere, que esta fazendo? Que caminho esquecido por Deus é esse? Onde vai dar essa trilha que parece não ter destino certo?
  • Tem-se medo de ir, por que veio. Se não tem fé, volte. Não adianta entrar em mata e querer seguir caminho onde olhos só vêem pequena distância. Aqui se anda de rumo e prumo. Ora para a direita, ora para a esquerda. Sem muita regra, só o instinto é que vale. Vou contar o que não sei, como se isso fosse possível. Mas conto o que sinto. Tem muita gente a espreita de Severino. Todos achando que poderão não ser descobertos. Mas, já o foram, e Severino já mudou caminho duas vezes da trilha do norte. Acho bom, seguir reto, cortar por cima mesmo em vez de embaixo. Vai sair na frente de qualquer forma. Não da volta e segue de perto.
  • Mas capitão, e se pegarem Severino nesse meio de nada?
  • Quem vai querer arriscar perder o prazer de poder descobrir o que ele vem fazer aqui de vez em sempre? Acha que tem desmiolado aqui querendo isso? Só levar Severino para além em troco de nem poder dizer seus mistérios? O que tem que acontecer vai acontecer quando descobrirem paradeiro da Gruta de Nossa Senhora da Conceição. Mas nessa hora já estaremos lá a sua espera. Tenho certeza, o que tem que acontecer vai acontecer por lá, anda, vamos, senão não chegamos.
Tempestade de bom tamanho se aproximava. Alguns pingos caíam de tempos em tempos, e de bom diâmetro. Foi a sorte. Severino passou por Cleomar e Ceres sem perceber. Achava que ambos estavam é atrás dele e não bem a sua frente.
  • Cleomar, ta dando certo, Severino passou e nem percebeu nossa presença de intruso. Mas continua de bico calado por que escuto ainda mais passos. São nossas iscas chegando. Vão passar também.
  • Ceres, isso eu não agüento de alegria. Vai funcionar, vai funcionar.
De certo que funcionou e bem demais. Mas a chuva, só essa atrapalhou um pouco. Capitão empreitado em meio da mata decidiu mudar rumo novamente com a chegada da chuva.
  • Darci presta atenção. Espera aqui que tenho que realizar outra tarefa a custo que providenciar que ninguém se perca nessa tempestade. Trilha vai apagar e quem não conhece como olho de tigre seus caminhos, de certo que não consegue chegar onde pretende. Melhor você ficar quieto a espera, eu volto em breve. Não saia daqui de maneira alguma. Eu volto, eu volto...
Assim Capitão saiu em rumo certeiro por outro caminho que parecia não dar em lugar algum, mas sabia o que estava acontecendo.
  • Venerável amigo de história. Esse momento é de muito cuidado. E tem mais uma coisa que preciso contar agora. Todos os políticos e os que dessa arte usam, uns falam mal do outro. Se, se unissem para fazer algo de bom seria bem melhor. Mas a competição entre eles traz o caos. Não querem fazer algo por um ideal que tanto proclamam. Querem sim, fazer por seus próprios brios, alimentar seus egos. E se podem, se deixamos, chiiii, de onde vim, melhor ficar quieto. Isso é outra história. Mas aqui até que se aplica. Todos correndo em busca de algo por que alguém disse que outro falou. Engraçado, ninguém em trilha estava na verdade onde estava por sua própria vontade. A não ser por Capitão que só tomava conta de todos e Ceres com Cleomar que armaram a confusão. Nossa, que estranha à vida. Às vezes a palavra de desacreditados pode valer mais que bom censo. Principalmente quando se diz o que queremos escutar. Mas a chuva, hiiihiihhiiii... Essa sim fez seu papel. Hora certa sempre natureza arrumando as coisas que homem tenta estragar de boa fé. Alias, honorável amigo, sabe o que é a fé? Então lhe digo. É a falta total da dúvida. Tem-se dúvida, não tem fé. E gelo não pode ser frito... Hihihihhhiii... Duvida?
Severino, cabra arretado como era, sabia como proceder em marcha de despistamento. Andou em forma de círculo por algum tempo que o atrasou ainda mais. Mas deu certo. De tanta volta que deu, acabou saindo atrás de Deorani, mas não deu volta o suficiente para pegar Deucídio que nem imaginava que estava em seu encalço. Achando que barulho antes na sua retaguarda, agora pouco adiante era Cleomar, não hesitou em alcançar sua presa. De passo mais largo seguiu certeiro para o abate. Por sua vez, Deorani desconfiado de barulho em popa, e já achando ter perdido caminho de Severino, resolveu esgueirar-se para não ser alcançado. De caçador a presa. Que fim mais triste. A chuva já se fazia intensa, e água formando lama em caminho sinuoso, tudo apagava. Pouco tempo precisava para mais rastro nenhum ficar. Em calada de dia, sabia Deorani que fim estava próximo. Sabia que a empreita já estava acabada e antes de se danar no mato, melhor seria correr e voltar, desonrado, mas com vida. E afinal, quem poderia dizer desse momento? Sem testemunha, oras, vale tudo a palavra, que de palavra não ia ter nada. Só conversa de história sem negação por falta de testemunho. Subiu ribanceira feito mula escapando de cobra. Severino, bem mais perto sentia o que sua caça queria, e subiu antes ainda de próprio pensamento cair sobre cabeça de Deorani. Com certeza, pegaria na volta. Em meio do caminho, enlameado e predestinado teve um susto. Sentado bem a sua frente estava Capitão. Parado como quem veio do nada dizia a Severino.

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Toda terça-feira, um novo capítulo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mudança na publicação...

Senhores(as) leitores(as),
A partir deste capítulo as publicações acontecerão as terças-feiras.
Dia 09/08 um novo capítulo.
Obrigado,

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Capítulo 17

TExto sem revisão.

Capitão Serere andava ao lado de Darci e dizia:
  • Foi em dia dessa forma que resolvi conhecer terras de Nossa Senhora da Conceção. Armava tempestade e não chovia, e minha gente andava desiludida. Passávamos fome às vezes, mas tínhamos muita vontade de progredir, até que a seca assolou destino incerto para todos do povoado.
  • E como chegou a Capitão?
Indagou Darci.
  • Já que tem curiosidade, vou contar coisa que gente dessas bandas nem sabe. Acho que tem algo a ver com essa história de seguir e proteger Severino. Por isso, vou soltar a língua. Acontece que já era Capitão lá de onde vim. Só que era Capitão do Tambor. Sou Tupiniquim arretado e de boa esperança. Mas, da minha tradição e de meus conhecimentos, estão todos por serem perdidos por falta de língua. Antigos já não falam mais as palavras dos Deuses que os mais antigos ainda falavam. De medo que ficaram da morte. Quem falava, era perseguido, e de passagem para outro lado convidado. Os que eram bem mais antigos não mais ensinaram língua certa com palavras mágicas para os mais novos, e a tradição e o poema das palavras foi se perdendo. Agora o que restou fui eu, e mais alguns poucos.
  • Mas Capitão, que tem a ver isso com isso?
  • Espera pessoa de Deus, que verás a semelhança bem mais próxima do que nunca, quando chegar a hora de além de te contar sobre os Tupiniquins, falar a respeito dos Caparaós. Esses sim, acho que Severino descobriu.
  • O que? “Caparo” o que?
  • É assim, uma coisa a cada tempo. Primeiro o caso de sua curiosidade de ser eu Capitão. Sou mesmo, mas Capitão do Tambor. E era eu quem comandava a dança, nas festas religiosas, principalmente a do dia de Santa Conceição uns dois ou três dias. Meus companheiros buscavam no mato um mastro de boa envergadura. Com minhas vestes coloridas e com um cocar de arrebentar o céu, visitava todas as casas da aldeia conclamando os índios para a dança. As mulheres preparavam coaba que ingeríamos de maneira suave goela abaixo. Os convidados tocavam cassaca e eu meu tambor que a muito já não vejo. Naquela época, eu era o curandeiro, que fui deposto. Médico em aldeia, descrédito de minha crença. Ainda sei de muita coisa, e por isso conto a você esse destino. Hoje tal de Cacique é quem manda em tribo, e eu... Bem, estou aqui.
  • Capitão? Era chefe de toda aquela gente?
  • Sim, mas o destino da mesma forma que me colocou, tirou. Acontece que não sou mesmo Tupiniquim, ou sou, sei lá. Fui encontrado na mata, bem mais para cima da terra, em empreitada de meu pai, em busca de novas eras. O que se deu, foi que uns dizem, que eu era filho de meu pai com outra mulher de outra localidade. Por essas bandas mesmo. E outros dizem que essa história foi inventada para me proteger da fúria dos Caparaós.
  • Capara o que?
  • Caparaós, uns dizem que eu pertencia a essa tribo e fui raptado por meu pai e levado a tribo como filho. Então quando deposto, resolvi voltar para encontrar a história de verdade, mas muito tempo se passou, e apenas lendas sobraram. De certo, Caparaós, nada mais tem. Povo extinto, e minhas raízes, sem predominância por nem saber de onde vem.
  • Capitão, então quer dizer que Severino conheceu seus pais verdadeiros?
  • De onde tira essas histórias mirabolantes, jovem desbravador. Não tire suas conclusões. Nada consta dos autos de Santa Conceição tal feito. Nem Severino, nem ninguém sabem da verdade. Nem eu mesmo acredito que exista. Mas, sei que Severino encontrou algo de grande em mata deserta de gente, por ser inóspita. Dizem que os Caparaós vieram por essas bandas e habitavam essas paragens. Mas, nunca ninguém viu, ninguém sabe. Só história de gente antiga. Dizem que se entrevaram na terra, e de suicídio em andamento se atiraram ao mesmo tempo de um grande penhasco da morte. Outros dizem que estrelas do céu caíram, e quando ricochetearam no solo, levaram consigo toda a tribo que estava reunida. De certo, a certeza nesse caso, não existe. E é provável que não existirá nunca.
  • Mas, mas, mas e Severino? O que tem sangue meu com isso?
  • Sabe, não sabe. Mas também procura, e encontrou algo de grande. Faz muito sentido sua história. Faz mesmo sentido sua viagem todo mês.
  • Como sabe Capitão?
  • A mim confiou. Não teve jeito. Sabia que eu o pegara mesmo com seu caminho tortuoso. Teve que partilhar descoberta comigo. Sobre juramento de gente que tem palavra no fio do bigode, prometi só em caso de perigo de vida mostrar o santo lugar que Severino batizou de Gruta de Santa Conceição.
  • Gruta? Mas que grutas? Nunca ninguém achou nada por lá!
  • Mas existe, como existem vários caminhos para lá. E vamos por outro, que cruza o de Severino mais à frente. Parece-me que sua trilha preferida hoje não vai usar. Usará a trilha de fora. Onde Santo padre achou Cleomar. É por aquelas bandas de lá.
Agora temos a seguinte situação: Deorani seguindo Severino a curta distância, Deucídio seguindo Deorani, pensando que é Severino e Capitão do Mato seguindo a todos estando bem empreitado. E ainda, Ceres e Cleomar esperando Severino pela trilha de baixo. Acontece que desta vez, Severino resolveu justamente seguir esse caminho, e para o espanto da dupla, ele vinha bem em sua direção.
  • Cleomar, Cleomar, fique calado, tem gente vindo em nossa direção. Aqui por baixo. Não pode ser. Severino vem em galope certeiro e vai descobrir paradeiro da gente se não tomarmos cuidado.
  • Ceres presta bem atenção. Parece que vem Severino como uma quartelada de tanto barulho que faz. Melhor deitar em moita e esperar em muito silencio a passagem de furacão.

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    Toda terça-feira e quinta-feira, um novo capítulo.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Capítulo 16

TExto sem revisão.

Assim é, como é. A noite avançava pelas horas da madrugada e gente cada vez mais agitada entrava e saída de algumas casas. Capitão Serere veio em busca de notícias de Severino. Em diálogo com Darci dizia:
  • Meu caro, acho que já sabe por que estou aqui. Notícia ruim corre demasiadamente rápido, e como me sinto no dever de tentar apaziguar as famílias me disponho a interferir e não permitir que abuso nenhum seja tomado por parte de quem quer que seja.
  • Muito bem Capitão, tenha a certeza da minha total cooperação. Eu, melhor do que ninguém sei dos riscos que Severino está correndo. Não quero o pior. Quero também a mansidão da situação.
  • Pois bem, já falei com outros três cabras de minha confiança que já estão em vigília pelas casas de sua família e de Deorani.
  • Deorani? Vixit... Mas pensei que fosse...
  • Pensou? Veja bem, o critério é mais do que certo. Quem mais pode ser?
  • Bem, pensando assim, acho que deve ser certo mesmo, mas estava crente de bom agouro que Deucídio fosse mais indicado.
  • Nossa, é mesmo. Até esqueci. Mas para isso está mais do que fácil. Deucídio tem caminho certo para vilarejo. Se entrar e atravessar para trilha do Penhasco da Morte, não tem como não passar por povoado. Já está pego se for o safado.
  • Meu Deus desse mundão de Santa Clara. Será que isso vai mesmo acontecer?
  • Com certeza tanta, de que isso é mesmo o mais certo de se fazer, que estou fazendo.
Viram agora o que estava por acontecer. E Ken estava mais estimulado ainda do que nunca e aproveitava para fazer explanação de como era o povo.
  • Honorável amigo que mais prefere o branco da camisa a botões dourados. Nunca vi de verdade, mas em terra de onde vim contam que na planície de Qin Chuan, existem coisas que não foram feitas pelo homem. Engraçado dizer isso, se até hoje apenas homens vejo construir coisas. Mas, conta à lenda de que gente vinda de estrelas distantes construíram mais de cem pirâmides. Essa gente seria os antigos imperadores que segundo antigos manuscritos se diziam descendentes dos “filhos do céu", que estrondosamente desceram a esse planeta em seus dragões de metal ardente. Isso é o que dizem no centro da China, morrotes e mais morrotes a perder de vista. Mas está lá, jogada a própria sorte. E não tem homem que possa escavar ou estudar o que lá existe. Governo diz não poder. Ser de interesse apenas da história passada da China e pronto. Assim é o povo, basta uma notícia qualquer para de fato virar história mais do que mal acabada. E digo isso para ressaltar que antes desse polvorinho todo, houve sim outro fato ainda mais interessante sobre a opinião do povo. Cidade, meu bom amigo, era levada a vela e óleo, que gentilmente a família de Severino e Darci traziam de longa distância e doavam para o povo queimar virando luzes para seus casebres. De benefício em benefício, tinham a admiração de todos. Acontece que quando da enraizada deslocada de Cleomar em relação à lista das famílias em desastre de Nossa Senhora da Conceção, o povo se indignou de forma a querer satisfação tirar com Cleomar e com quem mais que fosse. Julgando o povo de imediato seus atos, achou por melhor por hora não enraivar Severino e família. Deles dependia o óleo da cidadela. Mas, dia de confusão, morreu touro de procriação de Darci que de gado gostava muito. Não se sabe de que. Ao certo, de morte morrida mesmo. O povo, assim não entendeu, e comentava-se pelos cantos do território todo que alguém em desespero de causa, e querendo de intimação amedrontar a família, tirou a vida do animal por vingança de seu nome estar em lista falsa de Cleomar. Veja só, caro escrevedor de caneta em punho, o povo é mesmo bem interessante. Acontece também que todo carregamento de óleo para a fazenda vinha de longa distância e de dia marcado. E justo no dia de entrega de óleo, atrasou por ser de carro de boi e bois estarem muito cansado, precisavam parar para beber e dormir, se bem que esse bicho de certo que não tem muita necessidade disso. Com a reserva de óleo a mingua, cidadela quase ficou toda na escuridão. Diziam os entendidos de que isso era uma represaria de Severino em contra partida da reação do povo na questão da lista de Cleomar. Era para todos sentirem a mão de ferro e pesada de Darci. Que nada. Tudo boataria. Mas o povo era assim mesmo. A família nem soube de tal boato, e preocupada com óleo de carro de boi que não chegava, mandou mensageiro em riba de cavalo quase que alado para ver se trazia notícias favoráveis a respeito de assunto de tanta importância. Depois de algum tempo, com a calmaria do povo, chegou o óleo e Severino e Darci são de novo endeusados. Assim é o povo. Faz suas próprias histórias, conforme lhe convém. E quando alguém de suposto respeito chega a trazer notícia, verdadeira ou não, povo toma como verdade e luta se preciso for pela honra suposta de notícia criada a bem da verdade ou da mentira. Depende de quem cria honorável amigo. Por isso tem na sua mão uma grande tarefa de empenhar essa história de forma certa. Não precisa ser certa, mas de modo verdadeiro. Alias, hihihi... Verdade e certeza são a mesma coisa?
Ken tinha muita segurança na caneta que eu carregava. Sabia por certo que meu estilo era certeiro, mas sabia também, que como todo bom terreno dormente, não conseguiria manter o mesmo dialeto por toda a narrativa. Era deverás interessante e longa a história para se manter toda uma mesma linha. E acredito, que essa era mesmo a sua intenção. De hora em tempo, cada vez, falava de jeito diferente. Hora para confundir meus pensamentos já sem imagem alguma, ora para esclarecer fatos que ainda não compreendia. Esse era Ken. Podia e fazia. Contava sempre estar atento a tudo, em todos os lugares. Mas como poderia ser isso? E nessa noite mais do que alucinante, de vento em pé de morro soprando como vendaval desmerecido, a manhã não tardava a iniciar seu cintilante ondular de luzes. Essas por sua vez, espalmadas e comprimidas por nuvens carregadas pelo vento forte que jurava trazer tempestade. Justo agora. Tanto tempo de seca, e nesse dia em especial, temporal armava pela encosta?
Severino de equipamento costumeiro em punho, saiu de sua residência, como sempre fazia, bem cedinho. Rumava finalmente em direção do esperado e do que mais sempre fazia. Nada notou na saída da cidadela. Andando pela trilha do norte, seguia de passo firme com lindo lenço rosa em volta do pescoço, que de hora em hora, usava para tirar o suor da testa. Mesmo de dia feio, abafado estava. E prometia. Passou pela entrada do Penhasco da Morte nada notando. Deorani estava a sua espera. Deu alguns minutos e saiu em sua empreita. Darci e Capitão avistaram ao longe Deorani amoitado. Esperaram e seguiram Deorani. Mais atrás vinha Deucídio que por sua vez avistou Darci e tratou de seguí-los também, meio de longe. Os capangas do Capitão estavam bem nos calcanhares de deucídio. Mas não tinham como avisar. Tinham que seguir de rumo certo em busca de momento oportuno para tentar dar a volta e avisar o Capitão.
Dia escuro. Nuvens, vento e tempestade formando. Esse era o quadro que parecia estar de certo acontecendo. 

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terça-feira, 26 de julho de 2011

Capítulo 15

TExto não revisado.


Na madrugada do dia da perseguição implacável de quase toda uma cidade em busca de roteiro desconhecido de Severino, já se podia apreciar um certo movimento em algumas casas da redondeza de Brejo Seco. Quase toda família, tinha pelo menos um parente com essa idéia.
Severino saiu como sempre. Desta vez, apenas parecendo só. De muito, Cleomar e Ceres já estavam na mata, por baixo do penhasco aguardando o momento em que Severino iria passar.
Deorani postou-se mais além do penhasco da morte, jogando com a sorte para de certo esperar por Severino.
Darci foi atrás, e muita gente atrás de Darci. "Eta confusão arretada que estava para desenrolar".
Só faltava Santo Padre. Mas esse de bem longe se encontrava a salvo, em busca de explicação para fato inesperado que foi a tragédia da festa.
Cleomar, nervoso que estava, não parava de falar:
  • Ceres, ainda bem que resolveu comigo participar nessa empreita de Deus. Agora percebo o que estamos de verdade fazendo. Sabe o que é de melhor? Aqui posso até cozinhar água que dá certo. De tanta fé que tenho em nosso destino posso cozinhar água até ela virar um empelo. Posso mesmo. Minha fé pode tudo. Inclusive se quiser, providencio gelo, isso mesmo, para de resto fazer um empanado que você nunca pôde provar por falta de fervor em coração já dormido. Frito cubos empanados em banha de porco fervente, depois dou para você provar. Vai ver que tem gosto de gelo, e mesmo em cozimento acelerado, não vai desmanchar nunca. Essa é a minha fé gente tola.
  • Cleomar, santo Deus, cale a boca. Não vê que mesmo tendo toda essa fé que admiro, se fizer barulho demais vai dedurar nosso embuste? Aqui em mata fechada, qualquer som diferente pode ser percebido por ouvido não muito treinado. Quer dar de baixa em todo sacrifício já feito? Cale-se. Por Deus, cale-se.
Antes dessa mobilização da população no encalço de Severino, aconteceram alguns fatos que valem a pena serem descritos, conforme o próprio Ken afirmava.
  • Honorável amigo de calças. Às vezes digo, não sou eu que estou pego na caneta, por isso presta bem a atenção no que descrevo de coração aberto para essa história não ser perdida de interesse e nem de coerência. O caso é que Cleomar e Ceres precisavam de uma distração, para a sua perseguição. Sabiam muito bem, que ninguém na vila se atreveria a fazer tal coisa. Muito pelo contrário. Resolvendo de bom agrado dar uma ajudinha para que interesse fosse despertado de maneira a fazer com que todos ficassem cobiçados pelo caminho da Santa. Uma distração era o que pretendiam. E de certo modo conseguiram. Tinham agora todo o tempo do mundo para se colocarem melhor, enquanto, gente da vila, com barulho, sempre fazendo muito, encobriam os seus próprios e a certeza de não serem descobertos por Severino era mais forte ainda. Acontece que dia anterior à caçada, Cleomar armou mais uma das suas. E desta vez com o amparo de Ceres. Essa dupla muito dinâmica mesmo. Hihihihihi... Até parece que vai dar certo desta vez, mas pior que pela primeira vez, parece que deu mesmo. Ceres foi até a casa de Deucídio em noite anterior dar o seguinte recado:
  • Deorani mandou dizer que você não está muito certo do que diz. Onde já se viu isso. Cleomar inventa um monte a respeito de cabra arretado e nada acontece. Eu vou ao encalce de Severino. E se não tem coragem para desfazer mal entendido, só mesmo enfiando a cabeça no meio das pernas. Se for de honra, cruze a linha da verdade e de esguio pega Severino com a boca na botija. Esse sim foi quem inventou toda história e fez com que Cleomar desse esse furo com a família de homem de bem. Vai deixar Severino assim? Desmascarar Severino é sua chance de vida certa e honra lavada daqui para sempre.
  • Por sua vez, Cleomar seguiu rumo a casa de Deorani levando recado inventado de Severino:
  • Deorani! Já conhece pessoa de Severino e sabe muito bem que não é de brincadeira. Justamente estou aqui para isso. Avisar você que a cada dia esta pior para você. Agora Severino esta dizendo que se pega alguém em seu encalce durante madrugada de dia de caminhada, mata. Não quer ninguém de pé atrás. Ainda indagou com sua grossa voz, quando alertado pelo perigo de sua pessoa armar embuste na certeza de vingança, que se tem alguém que foge de medo de terra distante e cheio de rumores é vós.
  • Na mesma noite Ceres ainda passou em casa de Darci e em particular falou:
  • Darci Sebastião, pessoa de semblante dourado. Aqui fica meu atento, pois gosto de família embora saiba que não é recíproco. Mas, de ordem que tenho com a natureza, não posso deixar de interferir, quando o assunto é mais que sério, e ainda por mais saber que vida de Cleomar, grande pessoa que sempre me auxilia, corre perigo por tabela. Explico que se Severino, quem mais protege Cleomar for de forma letal subsidiada, não resta dúvida que próximo com certeza será Cleomar. Não tendo recursos para impedir tal fato que corre pela cidade esta noite, que tenho escutado atrás de muro, venho até pessoa de estima incomparável fazer solicitação de que se aproxime de Severino pelo menos esta vez, e de cobertura de gente que pode querer vingança. Esse é meu pedido. Se interessar salvar família de mal certeiro, melhor agir antes de amanhecer para segurança de pessoas amadas da família não entrar em risco.
  • Cleomar segue a casa do Capitão, Serere para dar seu recado também.
  • Caro Capitão! Sabe muito bem que a muito, família minha corre por estar sempre na boca de provocação de Deorani. Sabes o que tem de melhor agora? Escutei boato em casa no vilarejo de fora, de que tal pessoa jurou vingança pelas entradas de Severino e que o iria arretar pé em dia de caminhada, para trajeto de urubu rei no dia sete. Dessa forma, Severino ajuntado de ódio certeiro, vai hoje em noite de lua clara calar para sempre Deorani. Não quer mais correr risco de vida incerta. O problema, diz ele, vai ser resolvido a sua moda, e como todo mundo sabe que vai para a mata nesse dia, de certo ha de ser um bom álibi também. Justo, assim peço, faça algo para que não aconteça nada com Severino. Julgue certa a verdade que lhe conto e siga em busca de Darci que já está em estado de desespero, querendo se meter em história à custa de nada. Vai que acertam de uma só vez a família quase que toda. Faz algo pela paz de Santa Conceição.
  • E assim, caro honorável amigo de cabelos curtos, a confusão só estava por começar. Um vai e vem a noite inteira mobilizava a cidadela embusteada na mata. Luzes acendiam e apagavam. De certo, ninguém dormia na noite de derradeiro espanto.

    Avise os amigos, por favor.
    Toda terça-feira e quinta-feira, um novo capítulo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Capítulo 14-a

Texto sem revisão.

Cleomar na praça em um banco em conversa nada amistosa com Ceres:
  • Escuta Ceres. Só mais esta vez. Será que dá para você pelo menos entender, ou tentar descobrir o que de fato quero dizer de verdade? Presta atenção pessoa que vive a vagabundear Até quando vai querer ficar ai a tomar chuva de vez em nunca para poder se banhar? Tem esperança de um dia conhecer o verdadeiro lado que te trouxe aqui? Acha que é certo fugir de si? Responde pessoa que anda em trapo e suja. Quer mesmo voltar de maneira a nada ter para relatar? Fracasso te espera?
  • Cleomar, santa criatura de Deus, escuta enquanto ainda tenho forças para poder falar. Espera, olha a sua volta, vê que não tem ninguém consigo? Nem conosco? Estamos sós. Sem esperança de regresso a Santa trilha. Santo Padre já até afugentou sua fé de vilarejo, por saber que não vale a pena. Tempo todo perdido Cleomar, tempo todo...
  • Perdido para você, que tem idéia de gente fraca em pensamento sem esperança. Bem me lembro que chegou aqui, querendo encontrar o Paraíso, e para isso, no começo não media esforço. Agora vive de favor, como sempre viveu aqui, e espera a morte te levar para o inferno que vai ser seu lugar se não encontrar o que procura. Assim como eu. E não quero inferno como eternidade de dissolução de meus problemas. Quero antes de qualquer coisa, a vitória de ser Cleomar finalmente.
  • Não, não dá mais e estou de partida para retorno de meu destino. Sem promessa cumprida, sem esperança de vida. Não dá mais, não dá...
  • Desilusão? Tenta pela última vez, eu peço. Quem sabe se agora não dá? Já que esta sem retorno certo. Vai voltar para onde se me permite perguntar?
  • Volto, não sei. Sem rumo. Não tenho nada mesmo. O que importa?
  • Você criatura. Tanto faz morrer agora na estrada como na mata. Quem vai sentir a diferença? Mas, se encontrar o paraíso, é outra coisa, outra pessoa.
  • Nada disso Cleomar, se encontro não volto, e se saio para procurar e não encontro, também não volto enquanto não acho. Por isso, se for, vou só. E agora sem volta. Por isso, rezo todo tempo para não ir. Sei que não acho. Apenas encontrarei o caminho da morte mais cedo.
  • Credo. Sai de arretado Satanás, e desencabresta desse corpo. Esse não é você Ceres. Tenha fé que a fé te leva ao caminho certo. Estou certo e sairei mesmo que só, e se não encontro, não volto também. Nada daqui mais me interessa. Apenas honrar meu nome e conseguir afirmar minha cabeça em Nossa Senhora da Conceição. Pensa um pouco mais. Amanhã retorno para resposta sua, que tenho certeza, será positiva. Disso eu sei. E temos que elaborar logo rota de esperneio pela mata, para que Severino não desconfie, tenho plano em minha cabeça de bom pensamento que merece atenção. Sei o que fazer. Aonde ir. Já implantei mapa na idéia de poder confirmar caminho de ida e de volta.
  • Cleomar, não extrapola. Seguir seus passos vai ser a morte, mas se quer morrer, morra sozinho. Tenho destino certo para mim, e minha morte me encontrará só, quando for à hora chegada.
Desse diálogo, nasce uma nova idéia que mais tarde verão qual é.
  • Honorável amigo. Tem agora uma certeza. Sabe que tem que relatar tudo isso bem direitinho, para não haver confusão de modo algum, de quem é Ken. Quando conhece pessoa de qualquer gênero sabe que às vezes se engana. Pois bem. Não colocando gênero em ninguém, dificilmente se engana a respeito de pessoa qualquer. Pois é, caro amigo, como peixe dourado em água parada. Roda e roda, e sempre sai do mesmo lado.
Ken sempre me alertava sobre isso. E disso fez a minha parte. Pois é, agora cabe a cada um saber de que lado quer que cada um esteja. Do seu, do meu. De quem quer que seja, tanto faz para cada um. A diferença, e isso aprendi com Ken, quem coloca sou eu mesmo e você.
E na história, Ceres estava balançando como vara de marmelo. Sábia que não tinha mais muito tempo para seguir rumo indeterminado atrás de Santo Éden. E Cleomar parecia ser sua última esperança de rumo em direção a sua conquista maior. Mas Cleomar? Que jeito. Quem mais haveria de suportar tal pessoa em direção a lugar algum? Só mesmo Cleomar. Um em busca do outro, por pura falta de opção. Dia seguinte de sol aberto, Cleomar volta a procura de Ceres:
  • E então? Já se pode dizer que a felicidade está em direção de quem a busca? Vai ficar mesmo a esmaecer ranhura em torno de idéia que não tem coragem para suportar?
  • Olha aqui Cleomar, se vem de longa distância para aporrinhar minhas idéias de deixar você mais uma vez me levar a desesperada empreitada, desiste. Eu é que dou as ordens para rumo não perder mais. Só assim aceito a empreitada e de trem garantido na mão partiremos antes do amanhecer de amanhã, que é dia de Severino encontrar sabe lá Deus o que. Dessa forma, teremos assegurado boa distância. E por baixo de penhasco vamos seguir em frente, para de novo enfrentar quem sabe nosso destino de sepulcro. Mas, se não tento, não vivo.
  • Graças Ceres, enfim estaremos de novo em busca de objetivo sagrado, e Santa Conceição ha de nos guiar pela mata de forma a rumo não perder mais. De espinho em espinho iremos arrancando cada gota de sangue de nosso corpo, para lavar a nossa alma. Essa peregrinação nos trará assim a glória que Santo Padre não conheceu por ser de fé não muito segura.
Severino Conceição de espera para a caminhada árdua de dia seguinte se preparava como sempre. Deorani por sua vez, pensava a mesma coisa que Ceres e Cleomar. Seguir Severino. Alias, a cidade toda parecia que estava com esse pensamento obscuro. Se Severino pega alguém no caminho, sei não. Até Darci estava preparando suas tralhas para dia seguinte, não antes como Cleomar, mas depois ir a seu encalço.
  • Honorável amigo de companhia agradável. Veja só que destino. De tão secreto, estava a ponto de ser mais público do que outra coisa. Se quiser que algo pareça realmente valer alguma coisa, coloque muita guarda em seu redor. Isso fará com que a atenção de muita gente seja despertada para um assunto. Se tiver guardião, tem muito valor, e todos querem. Se estiver aberto, bem a vista, de modo a ninguém enxergar, está mais bem guardado, do que se tem um exército em volta. Lembra disso, honorável amigo. Isso pode ser de muita valia para o desfecho dessa história.

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